Passar pela Itália sem topar com um Aperol Spritz é bem difícil. Conhecido pelo sabor refrescante e um teor alcoólico menor do que outras bebidas do gênero, ele se tornou um símbolo entre os coquetéis italianos e conta com uma história mais do que centenária.
Conheça um pouco mais sobe a bebida que conquistou o paladar de turistas que passam pela Bota e ganhou aficionados ao redor do mundo após surgir com uma ideia inusitada para o seu tempo: ser um bitter que… não era tão amargo assim.
A história do Aperol
O Aperol surgiu em Pádua, no norte italiano, como uma criação dos irmãos Luigi e Silvio Barbieri. Inspirados pelos “apéros” franceses (uma gíria local para os aperitivos alcoólicos), eles decidiram batizar sua criação em homenagem aos coquetéis que haviam provado em uma recente passagem por Paris. Conta a tradição que, até chegar na fórmula ideal, eles trabalharam ao longo de toda a década de 1910. O resultado veio a público em 1919, durante uma feira realizada em Prato della Valle, uma enorme praça em Pádua.
A receita exata do Aperol é um segredo bem guardado até hoje, mas alguns itens são conhecidos e admitidos pelos atuais fabricantes: laranjas amargas e doces ajudam a dar a cor e o gosto cítrico, enquanto ruibarbo, raízes diversas e cascas ricas em quinino contribuem para o amargor. Ao todo, incluindo itens não revelados (em proporções secretas), a mistura tem 16 ingredientes, preparados por meio de uma infusão em água e álcool.
A grande novidade para a época era o teor alcoólico baixo, de apenas 11%, muito menor do que outros bitters famosos do período. Basta comparar com outro produto da empresa que desde 2003 é a dona da marca Aperol: o Campari, que na Itália chega a ter esse índice na casa dos 25%. Talvez em função da “fraqueza” do álcool, em um primeiro momento a bebida dos irmãos Barbieri não fez tanto sucesso assim… até que alguém decidiu utilizá-la em um drink.
Surge o Aperol Spritz
Puro, ainda hoje o Aperol não é muito apreciado. Mas a coisa muda de figura quando falamos do coquetel feito com ele: o Aperol Spritz é o que você realmente encontra em praticamente qualquer estabelecimento italiano, com inúmeras releituras ao redor do mundo.
Esse drinque é feito com uma base de Aperol e Prosecco, além de “soda” (água gaseificada), uma rodelas de laranja e gelo. A cultura dos “spritzers” já era conhecida no norte italiano desde o século 19, quando soldados austríacos que ocupavam a região começaram a diluir o potente vinho local em água, e a ideia se manteve em drinks recriados no futuro.
Embora não se saiba exatamente onde o Aperol Spritz surgiu, é certo que sua popularidade começou a se difundir no Vêneto após a Segunda Guerra Mundial, ganhando mais força nos anos 1960. Desde os anos 1920, já existia por lá o “Spritz veneziano”, que seguia uma receita parecida, mas, em vez de Aperol, usava o bitter da marca Select. É quase certo que os “spritzers” que vieram depois são derivados dele. Porém, como a receita se difundiu ao redor do mundo, não é preciso ir até lá para provar um Aperol Spritz “legítimo”.
Mas, se estiver de passagem por Pádua, vale a pena procurar um bar ou restaurante no Prato della Valle, o local onde a bebida que serve de base para o drink foi apresentada pela primeira vez – assim, dá para dizer que você tomou o coquetel mais famoso inspirado na criação dos irmãos Barbieri no exato local em que um Aperol (que ainda não era “spritz”) foi degustado pela primeira vez.
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