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Tóquio pode limitar Airbnb em bairro que concentra vida noturna e turismo

Medida em Shinjuku pode afetar cerca de 2 mil imóveis em áreas residenciais e próximas a escolas
Tóquio pode limitar Airbnb em bairro que concentra vida noturna e turismo

Shinjuku, um dos distritos mais movimentados de Tóquio, pretende restringir os aluguéis de curta duração após um aumento nas reclamações de moradores sobre o comportamento de turistas. A proposta prevê limitar a operação desses imóveis em áreas exclusivamente residenciais e nas proximidades de escolas, medida que pode atingir cerca de 2 mil propriedades.

No ano fiscal encerrado em março de 2026, o distrito recebeu 1.334 reclamações relacionadas às hospedagens de curta duração. Entre os problemas relatados pelos moradores estavam barulho excessivo, descarte inadequado de lixo, fumo em locais proibidos e invasões de propriedades privadas.

O bairro de Shinjuku

Shinjuku é conhecido pelo movimento intenso de suas áreas comerciais e pela vida noturna. O bairro abriga Kabukicho, um dos principais distritos de entretenimento de Tóquio, e a estação ferroviária mais movimentada do mundo.

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As luzes do Kabukicho, coração da vida noturna na cidade (Manuel Velasquez/Unsplash)

Ao mesmo tempo, mais de 350 mil pessoas vivem na região. A convivência entre áreas residenciais e alguns dos pontos mais visitados da cidade tem ampliado os atritos relacionados ao turismo, especialmente em torno das hospedagens de curta duração.

No Japão, esse tipo de acomodação é conhecido como minpaku. O modelo foi regulamentado em 2018 para ampliar a oferta de hospedagem diante do crescimento do turismo internacional e aproveitar imóveis que estavam vazios.

Desde então, o número de minpaku em Shinjuku cresceu rapidamente. O distrito passou de pouco mais de 1,3 mil registros em 2022 para quase 4 mil neste ano, segundo dados da Agência de Turismo do Japão e da própria prefeitura.

É a maior concentração de minpaku entre os municípios japoneses. Cerca de 10% dos mais de 42 mil imóveis registrados em todo o país estão em Shinjuku.

O que muda nos aluguéis de curta duração

A prefeitura de Shinjuku pretende proibir os minpaku em zonas exclusivamente residenciais e em áreas próximas a escolas. Além dos imóveis que já funcionam nesses locais, a regra também impediria a abertura de novas hospedagens nessas áreas.

Outra mudança em discussão é a redução do período máximo de funcionamento. Atualmente, os imóveis registrados nesse sistema podem ser alugados por até 180 dias ao ano. Nas áreas residenciais, o limite passaria para 120 dias.

A proposta surgiu após as autoridades concluírem que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para reduzir os problemas relatados pelos moradores. Desde o fim de 2025, licenças de cinco operadores e 15 imóveis chegaram a ser revogadas por descumprimento das regras, mas o número de reclamações continuou elevado.

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Embora a proposta não cite plataformas específicas, imóveis anunciados em serviços como o Airbnb podem ser impactados. Em declaração ao jornal britânico The Guardian, o Airbnb afirmou que leva a sério as preocupações dos moradores e manifestou interesse em colaborar com a prefeitura na elaboração das novas regras.

A medida ainda não entrou em vigor. Shinjuku pretende abrir uma consulta pública em outubro para receber contribuições da população antes de encaminhar a proposta à assembleia local, em fevereiro de 2027.

Crescimento do turismo internacional no Japão

A discussão em Shinjuku ocorre em um momento de forte expansão do turismo internacional no Japão.

Em 2025, o país recebeu cerca de 42 milhões de visitantes estrangeiros, o maior número já registrado, enquanto os gastos dos turistas também atingiram um recorde, chegando a 9,5 trilhões de ienes (US$ 62 bilhões).

Vista panorâmica de uma cidade japonesa ao entardecer, com uma pagoda tradicional de telhados curvos e pontiagudos à direita, em meio a árvores com folhagem avermelhada. Ao fundo, montanhas e o céu em tons de azul e rosa.
Para brasileiros, conhecer o Japão está mais fácil com a isenção de visto prorrogada até 2029 (Su San Lee/Unsplash)

O governo japonês pretende ampliar ainda mais esse fluxo e estabeleceu a meta de receber 60 milhões de visitantes estrangeiros até 2030. Ao mesmo tempo, o aumento do turismo tem provocado reclamações em destinos populares, onde moradores relatam problemas como superlotação e impactos na rotina das comunidades locais.

As restrições propostas por Shinjuku acompanham uma mudança mais ampla na política turística japonesa. Em julho, o Ministério de Terras, Infraestrutura, Transporte e Turismo reconheceu o direito dos municípios de limitar ou proibir hospedagens de curta duração em áreas onde a atividade passe a afetar o cotidiano dos moradores.

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Conteúdo adaptado de Viagem e Turismo (Abril). Ver publicação original completa →
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